30/06/2026
No dia 25 de junho, a Fundação Pablo VI de Madri sediou a realização do 36º Congresso Agers, um dos encontros de referência para os profissionais da gestão de riscos e seguros na Espanha. Sob o lema “Onde riscos e estratégia se encontram”, o evento juntou diretores, gerentes de riscos, seguradoras, brokers e especialistas do setor para debater sobre os principais desafios enfrentados pelas organizações em um cenário cada vez mais complexo e incerto.
A jornada começou com as boas-vindas institucionais da Agers e com o discurso de seu presidente, Luis Lancha, quem salientou a evolução da disciplina para uma abordagem cada vez mais estratégica. Ao longo da abertura, também foi valorizado o trabalho do Conselho Assessor da associação e foi reconhecida a contribuição de Bosco Francoy por sua trajetória à frente deste órgão consultivo.

Um dos momentos mais marcantes da manhã foi a conversa entre Javier Solana, ex-secretário-geral da OTAN e ex-Alto Representante da União Europeia para a Política Externa e de Segurança Comum, e Paulino Fajardo, sócio da Herbert Smith Freehills e membro do Foresight Committee da FERMA. O diálogo ofereceu uma perspectiva privilegiada sobre o contexto geopolítico atual, o papel da Europa no novo cenário internacional e as consequências para a gestão do risco empresarial.
Também gerou grande interesse o painel “O CEO na encruzilhada: risco e estratégia”, conduzido por Luis Lancha, que contou com a presença de Jorge Sendagorta, CEO da SENER, e Borja Vázquez, presidente e cofundador da Scalpers. Ambos trocaram experiências sobre a tomada de decisões em contextos de incerteza e ofereceram visões complementares sobre o risco como elemento natural no crescimento e na inovação empresarial.
Em seguida, o programa apresentou a mesa redonda “O olhar estratégico da diretoria executiva”, na qual esteve presente a Mapfre Global Risks mediante seu CEO, Bosco Francoy. Junto com Salvador Marín (Howden Ibéria & Northern Europe), Ana Meca (Marsh Espanha) e Mario Díaz-Guardamino (QBE Ibéria), foi examinado o papel que seguradoras, brokers e gerentes de riscos devem desempenhar na definição da estratégia corporativa.
Durante sua intervenção, Bosco Francoy defendeu a importância de transformar a função tradicional da gerência de riscos, posicionando-a no centro da tomada de decisões. Em suas palavras, “a abordagem do gerente de riscos deve mudar: não apenas falar de riscos, mas falar de tomar decisões. Não importa onde você a coloca no organograma, mas sim como participa na tomada de decisões”. Para Francoy, a relevância desta função não depende de sua posição hierárquica, mas de sua capacidade de acrescentar valor estratégico para a organização.
Francoy também salientou a relevância de promover uma autêntica cultura de riscos a partir da diretoria executiva: “O grande desafio é como transferir essa cultura de risco ao tecido empresarial e aos acionistas”, ressaltou durante o debate.
Outro dos temas analisados foi o impacto da inteligência artificial na gestão empresarial. O CEO da Mapfre Global Risks asseverou que “a IA é uma mudança transformacional completa que todos nós iremos viver, quer queiramos ou não”, e defendeu que esta tecnologia deve ser utilizada para complementar e melhorar a tomada de decisões, não para substituí-la. Também apontou que a inteligência artificial possibilitará analisar melhor os dados e contribuirá para que as organizações tomem decisões mais informadas e eficazes.
Além das sessões plenárias, o congresso incorporou espaços dedicados à colaboração interdepartamental, à governança corporativa, à auditoria interna e à capacitação de novas gerações de profissionais, com referências como Laurent Nihoul, CEO da FERMA, Philippe Cotelle, Head of Cyber Insurance Management e Head of Insurance Risk Management da Airbus Defence & Space, além de presidente da FERMA; e Richard Hoult, VP Risk Audit Compliance em Synthomer e presidente da Airmic.

Além disso, por meio de uma encenação protagonizada por jovens pertencentes à chamada Young Generation de Agers, foram apresentadas várias publicações técnicas da associação voltadas a fortalecer o conhecimento e as boas práticas na área da gestão de riscos. Os títulos destes guias são: O seguro de D&O em 185 perguntas e 185 respostas, Guia prático para a gestão de riscos em PMEs, A gestão do apetite ao risco, Guia sobre cenários climáticos e A fraude no ambiente cibernético. (Disponível através da Biblioteca da Agers).
O encerramento do plenário serviu para reforçar um conceito compartilhado ao longo de toda a jornada: a gestão de riscos já não deve ser vista como uma função isolada, mas sim como uma alavanca estratégica para a geração de valor e a sustentabilidade empresarial.
No período da tarde, como já é costume nos congressos da Agers, foram realizadas oficinas simultâneas entendidas espaços de aprendizagem prática e, em breve, estarão disponíveis os vídeos da transmissão realizada ao vivo.
Como conclusão, o Congresso Agers mais uma vez demonstrou a necessidade de incorporar o risco na tomada de decisões e de reforçar a conexão entre estratégia, inovação e resiliência organizacional.
Confira a Galeria de fotos do 36º Congresso Agers



