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Análise do impacto de negócio dentro do sistema de gestão da continuidade de negócio

30/07/2026

Seguindo o artigo elaborado pela área de Engenharia da Mapfre Global Risks em 2025, intitulado “Como assegurar a continuidade do negócio em caso de um incidente disruptivo”, no presente artigo pretende-se abordar, de forma geral, o estabelecimento, a implementação e a manutenção do processo da Análise de Impacto no Negócio (BIA, Business Impact Analysis) dentro do processo de implementação de um sistema de gestão de riscos da empresa.

O desenvolvimento do Sistema de Gestão da Continuidade de Negócio (BCMS – Business Continuity Management System) se baseia em duas técnicas de análise organizacional: a Análise de Impacto de Negócio (BIA – Business Impact Analysis) e a Análise de Riscos (RA – Risk Analysis).

A Análise de Impacto de Negócio (BIA) permite avaliar as consequências que uma interrupção das atividades pode ter sobre a organização ao longo do tempo. Seus resultados constituem a base para estabelecer prioridades, definir estratégias e planos de recuperação, bem como determinar os recursos necessários para garantir a continuidade das operações ante uma interrupção do negócio.

De forma complementar, a Análise de Riscos (RA) proporciona uma visão das ameaças, vulnerabilidades e cenários de risco que podem afetar as atividades priorizadas e os recursos essenciais da organização, mediante a identificação e avaliação dos riscos que podem impactar seus produtos, serviços, processos e/ou atividades, e recursos críticos.

Em conjunto, ambos os resultados (BIA e RA) servem de base para o design e a implantação de soluções, estratégias e planos de continuidade dentro do Sistema de Gestão da Continuidade de Negócio (BCMS). Por isso, o rigor, a qualidade e a confiabilidade de ambos os processos, bem como das conclusões obtidas, são fatores críticos para garantir a eficácia e resiliência do sistema de continuidade de negócio da organização.

 

Por que a elaboração de uma Análise de Impacto de Negócio (BIA) é muito importante dentro do Sistema de Gestão da Continuidade de Negócio?

Um BIA busca:

  • Identificar produtos, serviços, processos e/ou atividades críticas do negócio.
  • Avaliar impactos em caso de interrupção (financeiros, operacionais, legais, reputacionais).
  • Definir os tempos de recuperação (RTO, RPO e o MTPD).
  • Priorizar os processos, atividades e os recursos para a continuidade do negócio.
  • Apoiar a tomada de decisões na hora de desenhar planos de contingência e alocar os recursos necessários.
  • Facilitar o plano de continuidade do negócio (BCP), já que é a base sobre a qual se desenham as estratégias de recuperação.

 

Conceitos e tipos de Análise de Impacto de Negócio (BIA):

A Análise de Impacto no Negócio (BIA) é parte integrante do ciclo de vida contínuo para confirmar os requisitos de continuidade do negócio em uma organização, o que leva à determinação e seleção de soluções de continuidade do negócio.

O BIA leva em conta tanto os produtos e serviços que uma organização oferece quanto os processos, atividades e dependências que garantem a prestação desses produtos e serviços.

Consideram-se três tipos de Análise do Impacto de Negócio:

  • De produtos e serviços: Identifica e prioriza produtos e serviços.
  • Dos processos: Determina o processo ou os processos necessários para oferecer os produtos e serviços prioritários da organização.
  • Das atividades: Identifica e prioriza as atividades que fornecem os produtos e serviços mais urgentes e determina os recursos e as dependências necessárias para garantir a continuidade dessas atividades.

Podem ser seguidas muitas abordagens para realizar uma análise de impacto no negócio (BIA). As organizações não precisam aplicar os três tipos de BIA. Podem optar por utilizá-los de forma individual ou combinada para encontrar a abordagem de BIA mais adequada, em função do tamanho, da complexidade e do tipo da organização, bem como do âmbito do sistema de gestão da continuidade do negócio (BCMS). Por exemplo: As organizações orientadas a processos, como as do setor manufatureiro, costumam realizar o BIA de processos. As empresas menos centradas em processos podem omiti-lo e passar diretamente ao BIA de atividades.

 

Fases principais do processo de elaboração de um estudo de Análise de Impacto de Negócio (BIA)

Na hora de desenvolver a Análise de Impacto de Negócio (BIA) são consideradas as seguintes fases: (Fonte: Good Practice Guidelines Edition 7.0)

1. A revisão do contexto e do âmbito do BIA, por seu caráter estratégico, deve ser validada e aprovada pela alta direção.
2. Definir e atribuir as funções e responsabilidades das pessoas que participarão no desenvolvimento do BIA dentro da organização, garantindo uma coordenação eficaz e o correto desenvolvimento do processo.
3. Elaboração de um plano de implementação da análise de impacto nos negócios (BIA), que inclua a abordagem adaptada a cada organização e a metodologia para realizar essa análise.
4. Determinação das prioridades dos produtos, serviços, processos e atividades associadas, considerando os distintos tipos de impacto (financeiros, reputacionais, legais, operacionais, entre outros) e sua possível origem interna ou externa à organização.
5. Determinar os recursos necessários para garantir a continuidade das atividades após um incidente, bem como todas as demais dependências e interdependências.
6. Realização de uma análise final para consolidar os resultados do BIA.
7. Obter a aprovação da diretoria executiva sobre os resultados do BIA, garantindo o reconhecimento das prioridades e os tempos de resposta necessários diante de uma interrupção.
8. Definir e incluir uma revisão periódica do BIA como parte da estratégia de melhoria contínua.

 

Tempos de recuperação diante de uma interrupção do negócio

A determinação dos tempos de recuperação constitui um dos resultados mais relevantes da Análise de Impacto no Negócio (BIA), pois permite estabelecer os requisitos de continuidade necessários para garantir a resiliência da organização diante de uma interrupção, evitando impactos inaceitáveis. Por meio deles, a organização dispõe de critérios objetivos para priorizar a recuperação de seus produtos, serviços, processos e atividades críticas.

Por isso, a correta definição e validação destes tempos é essencial para garantir que o Sistema de Gestão da Continuidade do Negócio seja capaz de responder eficazmente a incidentes disruptivos, minimizando os impactos operacionais, financeiros, legais e de reputação, e garantindo a continuidade das atividades críticas da organização.

Os tempos de recuperação principais considerados na hora da análise de impacto do negócio são de acordo com ISO 22300:

• RTO – Recovery Time Objective / OTR – Objetivo de Tempo de Recuperação
Tempo máximo objetivo dentro do qual uma atividade, processo, serviço ou sistema deve ser restaurado após uma interrupção para evitar impactos inaceitáveis na organização.
• MTPD – Maximum Tolerable Period of Disruption / PMTI – Período Máximo Tolerável de Interrupção
Tempo máximo absoluto que uma organização pode tolerar que uma atividade esteja interrompida antes que as consequências comprometam gravemente sua viabilidade, cumprimento legal, reputação ou capacidade operacional. (Nota: RTO ≤ MTPD)
• RPO – Recovery Point Objective / OPR – Objetivo de Ponto de Recuperação
Máxima perda de dados aceitável, expressa como um período de tempo, após uma interrupção. Determina quanto histórico de informação pode se perder sem gerar consequências inaceitáveis.

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Exemplo

Empresa de telecomunicações que conta com um centro principal na Espanha.

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Conclusões

Em um ambiente cada vez mais exposto a riscos e interrupções, a Análise de Impacto no Negócio (BIA) e a Análise de Riscos (RA) constituem ferramentas estratégicas essenciais para fortalecer a resiliência organizacional. Enquanto o BIA permite identificar as atividades críticas, definir prioridades e definir os requisitos de recuperação necessários para garantir a continuidade de produtos e serviços, o RA fornece uma visão das ameaças e vulnerabilidades que podem comprometer seu funcionamento. A integração de ambas as análises proporciona uma base sólida para a tomada de decisões, a alocação eficiente de recursos e o desenho de estratégias de continuidade proporcionais aos riscos e necessidades da organização, contribuindo assim para melhorar sua capacidade de resposta, adaptação e recuperação diante de qualquer cenário disruptivo.

Em suma, a qualidade, rigor e confiabilidade do BIA e da RA são fatores críticos para desenhar e implantar estratégias de continuidade eficazes, fortalecer a resiliência organizacional e garantir a capacidade de resposta e recuperação diante de situações de crise ou interrupção do negócio.

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