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O SEGURO NAS ENERGIAS RENOVÁVEIS: SÃO TODAS IGUAIS?

O Acordo de Paris estabelece um marco global para evitar uma mudança climática perigosa limitando os efeitos do aquecimento global. Isso representa uma alteração no paradigma energético com mudanças substanciais, não só na maneira de gerar eletricidade, mas com a entrada de importantes investimentos de novos agentes além das grandes corporações de energia tradicionais.

Após muitos anos assegurando os ativos e a produção de energias renováveis dessas companhias no mundo inteiro, a MAPFRE Global Risks disponibilizou para as companhias MAPFRE de seguro direto um produto que dará cobertura às instalações de geração elétrica renovável.

Agora, com a perspectiva obtida da experiência e na intenção de um melhor conhecimento dos riscos e de suas coberturas, a Área Técnica da Subdiretoria Geral de Assinatura realizou uma exaustiva análise de sinistralidade das tecnologias eólica e fotovoltaica, predominantes no mercado atual, e que estão experimentando maior desenvolvimento.

Evolução da carteira

O estudo compreende mais de 500.000 MEUR/ano de montante segurado, principalmente de geração eólica. Contudo, a geração fotovoltaica está vivenciando um crescimento excelente. Como parâmetros de análise, não só foram estimadas as taxas de perdas, mas também a sua distribuição por causa, origem e montante.

Assim, relativamente a 5 anos anteriores, o volume de ativos assegurados de energia eólica se multiplicou por 1,7, enquanto a fotovoltaica por um fator superior a 10. Isso é explicado pela incrível queda de custos de capital nas novas plantas, de centenas de MW. Embora não tão espetaculares, as reduções de custos de capital e de operação em energia eólica se materializaram em economias de escala, por meio do incremento de tamanho das turbinas. Assim, há alguns anos quem dominava era a categoria 1-3 MW por turbina, enquanto atualmente predomina a categoria 3-7,5 MW, sendo ainda maiores na geração eólica marinha.

Causas de sinistralidade

Ainda que com relativa pouca frequência sobre o total do número de sinistros, na geração eólica foi identificado o incêndio como causa de maior volume no montante de sinistros. Esses incêndios incluem tanto aqueles acontecidos nas turbinas, em geral com perda total, quanto nas subestações de vertido.

No entanto, são as avarias de máquinas que apresentam maior número de sinistros, embora o montante total seja ligeiramente inferior ao derivado de incêndios. Segue em relevância os fatos decorrentes de eventos meteorológicos (tempestades, raios, enchentes, etc.)

Menção especial requerem eventos especialmente singulares, como furacões, excluídos da análise por sua singularidade geográfica, fenômeno que, da experiência de sinistros e da MAPFRE Global Risks, manifestaram-se especialmente vulneráveis tanto os parques eólicos quanto as usinas de painéis fotovoltaicos.

Origem dos sinistros

Quanto à origem dos sinistros, destaca-se a magnitude de sinistros que, não sendo especificamente intrínsecos às tecnologias renováveis, representam a impossibilidade de vertido de energia para as redes de transporte e distribuição, como os acontecidos em linhas elétricas e subestações de conexão. Devido a esta circunstância, elas são especialmente vulneráveis como consequência de estarem localizadas, muitas vezes, em áreas isoladas. Representam menos de 3% do número de sinistros e cerca de 20% do montante total.

Contudo, para o caso da geração eólica, o conjunto turbina e rotor, incluindo pás e todos os mecanismos, significam 50% dos sinistros tanto em número como em montante.

Características da gestão técnica do operador

Sem dúvida, a conclusão mais relevante foi a referente à importância da gestão técnica do operador em todo o ciclo de vida dos ativos, que resulta em grandes diferenças em taxas de sinistralidade. Essas políticas e processos das empresas se relacionam à gestão de ativos, tanto na promoção ou aquisição deles quanto na sua operação e manutenção. Destaca-se a diferença entre os operadores geradores tradicionais e os novos operadores investidores de outros setores de atividade (Diversos)

Conclusão

Contrariamente ao que seria possível acreditar, o seguro de danos para instalações de produção de energia renovável (eólica e fotovoltaica) é muito vulnerável à sinistralidade de frequência e de intensidade.

A de intensidade se relaciona à cobertura de vento (conhecemos sinistros significativos na Espanha ou no Chile, além dos acontecidos com a passagem do furacão Maria, em Porto Rico) e à de Perda de Lucros, com a paralisação de várias instalações que vertem para a mesma subestação.

A sinistralidade de frequência é muito variável em função do operador da instalação, com índices que podem se multiplicar por 6 em caso de operadores não profissionais perante os das grandes elétricas.

MAPFRE Global Risks disponibiliza para as empresas MAPFRE o produto MAPFRE RENOVÁVEIS, que cobre este tipo de instalações com um limite máximo de indenização de USD 100 m, que considera em sua tarifação estas conclusões.

Pedro Soria García Ramos,

Responsável Técnico Data Analytics

MAPFRE Global Risks

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