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Inovação na construção latino-americana

O setor de AEC (Arquitetura, Engenharia e Construção) está passando por uma verdadeira revolução. A metodologia Building Information Modeling e sua combinação com tecnologias de ponta, como a Inteligência Artificial, o Sistema de Informação Geográfica ou os Gêmeos Digitais apresentam-se como transformadores desta indústria tradicional em que a inovação se tornou uma exigência inquestionável.

A chamada Quarta Revolução Industrial, a da tecnologia e da digitalização de processos, provocou uma importante evolução na forma de construir em todo mundo. O setor da construção viu-se obrigado a incorporar um novo enfoque do trabalho, mais digital, que de maneira bem aproveitado será capaz de gerar oportunidades interessantes para a América Latina.

As companhias especializadas da região devem englobar uma visão mais ampla do ciclo de vida da obra, vinculando-se com toda a cadeia de valor do projeto de edificação, desde o desenho até sua construção. Mas como se adaptar a este contexto?

A chegada da ‘Construção 4.0’ ajuda a melhorar a eficiência no referente ao tempo e aos custos, dois dos principais problemas neste campo. Segundo o estudo “Reinventing construction: A route to higher Productivity”, publicado por McKinsey, esta mudança de paradigma pode incrementar a produtividade entre 5% e 10%. Mas, para isso, as corporações precisam industrializar seus processos e incorporar tecnologias emergentes. Com certeza, devem adquirir um estilo de produção similar ao de uma fábrica e entrar em uma transição tecnológica para a automação e o uso de dados.

A implementação deste tipo de estratégias repercutirá, por sua vez, no desenvolvimento da região. O crescimento econômico, o aumento da sustentabilidade e a produtividade dos diferentes países encontram-se atualmente subordinados ao impulso da inovação como principal predecessor para se manterem competitivos em um ambiente cada vez mais exigente e globalizado, indispensável para alcançar um impacto positivo e se associar à reativação econômica protagonizada pelo investimento público em infraestruturas da América Latina.

No artigo “Doze inovações tecnológicas em construção”, já mostramos algumas das tecnologias que mais estão repercutindo no novo modelo de construção em escala global. Hoje vamos nos aprofundar nas tecnologias que mais podem causar impacto no território latino-americano e suas principais contribuições.

Building Information Modeling (BIM)

É o foco de todos os olhares. Trata-se de uma metodologia apoiada em diferentes aplicativos de desenho e modelagem capaz de gerar e gerenciar os dados de um edifício em construção. Por meio desta forma de trabalho obtêm-se informações muito importantes como geometria, relações espaciais, dados geográficos, bem como as quantidades e características de seus componentes.

Todos estes dados se encontram relacionados entre si, permitindo a atualização de cada um dos parâmetros em tempo real, com sua consequente economia de tempo e trabalho.

Cada vez mais países da região contam com estratégias nacionais BIM. É o caso do Chile, onde já é exigido para a concessão das obras desenvolvidas pelas instituições públicas vinculadas ao Planbim e, gradualmente, este requerimento será ampliado para todos os projetos tanto de planejamento como de construção.

Um dos exemplos mais famosos foi a reforma do aeroporto de Santiago do Chile, no qual um modelo único tridimensional cobriu as áreas de arquitetura, design interior, estruturas, engenharia mecânica, engenharia elétrica, engenharia sanitária, construção e instalações de segurança.

Sistema de Informação Geográfica (GIS)

Este meio projetado para reunir, gerenciar e analisar dados está especialmente focado na geografia. No contexto da construção pode servir para avaliar a localização espacial e organizar camadas de informações em visualizações por meio do uso de mapas e cenários 3D. Deste modo, compõe a elaboração de análise do impacto paisagístico da obra.

Entre as diferentes ferramentas que a técnica GIS utiliza para planejar, verificar as opções de projeto, a leitura da paisagem e a observação de suas possíveis transformações destacam-se as imagens aéreas com drones e as verificações de linhas de visão em 3D, bem como o processamento de altura dos edifícios a partir de fotogrametria.

Graças à evolução desta tecnologia é possível realizar análises quantitativas e qualitativas da paisagem urbana. A utilização adicional da realidade virtual conseguirá, também, determinar as áreas visíveis a partir de qualquer ponto de referência.

Gêmeos digitais

Como seu nome indica, consiste em uma representação virtual de um objeto ou sistema físico. Esta reprodução comporta-se de forma semelhante ao seu gêmeo físico, permitindo prever e mostrar um conjunto de dados que propiciará a tomada de decisões de forma mais rápida e confiável pelo usuário.

A práxis desta tecnologia no setor AEC abre todo um mundo de possibilidades. Sua integração com o modelo BIM de infraestruturas e com o meio cartográfico e geográfico dos sistemas GIS, favorecerá sua conversão em um sistema dinâmico e conectado em tempo real aos outros procedimentos de gerenciamento.

O desenvolvimento desta capacidade facilitará o trabalho cooperativo e sinérgico de modo independente da localização física e do momento do projeto. Desde a conceitualização, por meio de um contexto visual 3D e de qualidade conectado com os diferentes dados disponíveis de fontes GIS e BIM, as informações se interrelacionam corretamente entre si, propiciando que os diferentes agentes possam compartilhar e aproveitar todas as informações disponíveis a fim de que a concepção em seu conjunto atenda seus objetivos com eficácia.

Big Data e Inteligência Artificial (IA)

A geração perpétua de dados apoia a aprendizagem contínua dos sistemas de IA que estão expostos a aprimoramentos diários. Cada uma das tecnologias envolvidas nos processos atua como uma fonte de dados potencial. Imagens captadas a partir de dispositivos móveis ou drones, informações derivadas dos modelos de construção BIM ou GIS, entre outros.

Os conhecimentos gerados a partir dos dados com ajuda da IA e os sistemas de aprendizagem automática representam uma oportunidade para os profissionais do setor. Por um lado, o acesso a aplicativos baseados no projeto de uma grande quantidade de desenhos bem sucedidos de construção pode ser um grande apoio na hora de iniciar um projeto. A possibilidade concedida de retificar a tempo é chave. Os algoritmos do futuro empregarão a denominada aprendizagem por reforço —com base na tradicional tentativa e erro— para avaliar infinitas combinações e alternativas baseadas em aproximações similares e ajudar na otimização do planejamento.

Além disso, os administradores de edifícios podem usar a IA muito depois da conclusão da construção de um edifício. O BIM armazena informações sobre a estrutura e facilita o monitoramento de possíveis problemas e ainda oferece soluções para preveni-los.

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