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Economia circular: engrenagem de sustentabilidade e bem-estar

A sustentabilidade e o baixo impacto ambiental não são mais características definidoras de um modelo de empresa, mas um requisito para se fazer parte do mercado internacional. Muitas das medidas que podem ser tomadas para seguir um caminho respeitoso com o meio ambiente e o planeta estão relacionadas com uma modalidade de negócio à qual se aspira em todos os setores estratégicos: a economia circular.

Antes de abordar artigos sucessivos sobre como ela é implementada em indústrias como a naval ou a energética, é importante definir a economia circular e conhecer os objetivos fundamentais almejados. Para isso, vamos recorrer à Associação Espanhola de Normalização (UNE), único órgão espanhol designado neste âmbito pelo Ministério da Economia, Indústria e Competitividade perante a Comissão Europeia.

“A essência deste modelo, manter o valor dos recursos introduzidos nos ciclos produtivos pelo maior tempo possível, é sinônimo de reduzir a necessidade de extrair e processar novas matérias-primas e de diminuir a geração de resíduos”

O que é e onde se aplica na economia circular?

A economia circular é um modelo de negócio cujo objetivo principal busca o benefício econômico minimizando a utilização de recursos naturais e reduzindo ao máximo a geração de resíduos. Os mecanismos fundamentais para conseguir prolongar o ciclo de vida dos elementos costumam ser práticos, como a reutilização de materiais, a reparação de defeitos e a reciclagem de elementos infraestruturais, ao contrário da tendência que impôs a produção sucessiva baseada em materiais descartáveis e a extenuação do maquinário.

Para a UNE, “a otimização do uso dos recursos é uma necessidade motivada por sua incerta disponibilidade a médio prazo, pela excessiva geração de resíduos, pela necessidade de reduzir as emissões associadas à sua extração e processamento ou pelo impacto que isso implica na biodiversidade”. Neste contexto, a economia circular conta com o potencial de mitigar, de forma simultânea, vários dos desafios enfrentados pelo setor empresarial e industrial. “A essência deste modelo, manter o valor dos recursos introduzidos nos ciclos produtivos pelo maior tempo possível, é sinônimo de reduzir a necessidade de extrair e processar novas matérias-primas e de diminuir a geração de resíduos”, aponta essa entidade.

Esta regulamentação tem uma importante contribuição no avanço nacional, europeu e internacional, já que os padrões desenham um marco comum no qual trabalhar para reduzir

Como avançar na economia circular?

Com o objetivo de consolidar as medidas de economia circular nos diferentes setores estratégicos (dentro do território espanhol, ainda que possa servir de referência às atividades realizadas no exterior) a UNE elaborou um relatório que contribui para a compilação de normativas técnicas identificadas como facilitadoras neste âmbito, dirigida tanto a empresas quanto a reguladores que busquem referências para implementar e validar medidas de economia circular.

Este trabalho (Estudo da contribuição das normas técnicas para a economia circular, publicado em março de 2022), procura impulsionar a mudança de modelo produtivo “fornecendo ferramentas práticas que facilitem a transição para a economia circular a empresas e entidades de diferentes tipos”, além de mostrar as normas técnicas que “são construídas com o consenso e o acordo entre as partes envolvidas, promovendo um entendimento comum dos princípios e técnicas aplicáveis” para facilitar a implementação e a validação de uma economia circular em todos os âmbitos. Desta maneira, podemos conhecer o nome e o código da norma, como ela contribui para a economia circular e em que processo produtivo ela se aplica em setores tão diversos quanto o Turismo, a Metalurgia ou a Construção.

Na UNE, reiteram que esta regulamentação tem uma importante contribuição no avanço nacional, europeu e internacional, já que os padrões desenham um marco comum no qual trabalhar para reduzir o processamento de novos recursos e a geração de resíduos, buscando sinergias entre os diferentes setores estratégicos.

Vantagens da economia circular

Como veremos nos próximos artigos, que especificam os mecanismos de implementação da economia circular em diferentes setores e os benefícios que afetam vários tipos de indústrias, a economia circular supõe vantagens comuns para todas as atividades produtivas que se submetem a seus objetivos fundamentais.

  • Impacto ambiental: O uso moderado dos recursos naturais e a diminuição de resíduos protegem o ambiente onde ocorre a atividade, favorecendo o respeito pelo ambiente escolhido e o bem-estar das pessoas que convivem com a indústria, ou que trabalham nesse espaço. Os objetivos da economia circular se traduzem na geração de menos gases do efeito estufa, na preservação da biodiversidade e no uso sustentável de recursos hídricos.
  • Imagem corporativa: Os modelos produtivos que respeitam o meio ambiente, independentemente do próprio impacto ambiental, são mais bem valorizados pela sociedade, melhoram a imagem da marca e têm custos mais baixos.
  • Eficiência de produção: Evitar descartar materiais produzidos ou máquinas danificadas, com base na reutilização ou reabilitação, minimiza as despesas básicas, maximizando a vida útil dos recursos, naturais ou adquiridos, e evitando gastos de aquisição ou transferência de detritos.
  • Promoção da inovação: A sustentabilidade está sendo impulsionada por processos históricos, como a reciclagem, mas também por novas soluções e linhas de inovação que estão impulsionando a pesquisa e o desenvolvimento de tecnologias e materiais de menor impacto ambiental.
  • Geração de emprego: A redução de despesas, sugerida nas seções anteriores, e as novas atividades relacionadas com a economia circular, como gestão de resíduos, reciclagem ou pesquisa de novos modelos produtivos, estão gerando a incorporação nas empresas de trabalhadores e departamentos.

 

 

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