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“Alarmar não adianta, mas o alerta é necessário para adaptar-nos a uma realidade que é vista como mais prejudicial”

Manuel Toharia é um especialista em divulgação científica, meteorologia, mudança climática e ex-diretor científico do complexo Cidade das Artes e das Ciências de Valência.

Em uma entrevista em vídeo concedida à MAPFRE Global Risks, Toharia apresenta-nos sua visão particular sobre a mudança climática, sobre os modelos matemáticos empregados nos prognósticos neste âmbito e sobre os eventos catastróficos.

Para Toharia, não há relação entre a mudança climática e os ciclones tropicais que ocorreram nos últimos anos. Ele afirma que, com base nos dados históricos disponíveis, não só não houve um incremento no número total deste tipo de fenômeno, mas sua intensidade também não cresceu.

“Não há nenhuma correlação catastrófica. Aquecimento sim, porém global é difícil afirmar. Antropogênico, não em sua totalidade”

Quanto ao aquecimento global, Toharia possui também uma opinião muito clara. ´Para ele, existe um aquecimento, porém um aquecimento natural, que é sobreposto por um aquecimento antropogênico, isto é, provocado pelo homem, mas que dificilmente podemos afirmar que seja um aquecimento global.

“Os satélites nos dão dados globais há somente 39 anos. Antes não tínhamos dados globais disponíveis, por isso não podemos ter certeza da representatividade dos mesmos”, explica Toharia.

De acordo com suas reflexões, o alarmismo em relação ao aquecimento global e às catástrofes que acontecem reside provavelmente no fato de possuirmos muito mais bens que antigamente. Portanto, hoje em dia temos muito mais a perder. “Ainda que não haja mais catástrofes ou não sejam piores que as de antes, o dano será maior de maneira progressiva, porque cada vez mais somos maiores e temos mais coisas. As perdas econômicas sim serão crescentes”, explica.

Toharia afirma que “é importante alertar, não alarmar. É necessário tomar medidas diante de uma situação que hoje em dia pode resultar economicamente mais prejudicial”.

“É um pouco soberbo dizer o que vai acontecer em 50 anos” 

Toharia também é contundente em relação aos prognósticos e aos modelos matemáticos empregados para sua realização. “Não são muito confiáveis, apesar de no momento ser o melhor que temos”, salienta.

Conforme explica, o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas, conhecido pelo acrônimo em inglês IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change), não faz prognósticos, faz cálculos de tendências, no qual estima uma margem de incerteza.

Por isso, para Toharia, atrever-se a fazer previsões sobre o clima da Terra em 50 anos, é imprudente.

Apresentamos a entrevista completa juntamente com a entrevista reduzida.

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