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O potencial transformador da IA para a mudança climática

Cristina Leon Vera | 22/01/2026

Muito se tem debatido sobre o impacto ambiental da Inteligência Artificial, especialmente em razão de seu elevado consumo energético. No entanto, também é verdade que, quando bem empregada, a IA pode ser uma alavanca estratégica para otimizar o uso da energia, reduzir emissões e gerir riscos ambientais. Com uma governança adequada, desponta como uma grande aliada no combate à mudança climática.

A IA tem um enorme potencial. Graças às suas capacidades de processamento, pode melhorar a eficiência dos centros de dados, das redes elétricas, dos processos industriais, do transporte e da agricultura. Também permite desenvolver modelos preditivos que antecipam falhas operacionais ou eventos climáticos extremos. Por tudo isso, apresenta-se como uma ferramenta central para uma transição energética mais resiliente e sustentável.

Por que é importante na gestão energética? Porque permite converter grandes volumes de dados em decisões automatizadas ou assistidas, que otimizam o consumo, coordenam recursos e reduzem perdas. Instituições como a Agência Internacional de Energia destacam que a combinação entre IA e energia não é apenas uma tendência, mas uma estratégia real com efeitos tangíveis. À medida que cresce a demanda elétrica, as técnicas de IA oferecem soluções eficazes para melhorar a eficiência dos sistemas.

 

Ações que reduzem a pegada e os custos

Tomemos como exemplo os centros de dados, grandes consumidores de eletricidade. Sua gestão eficiente é fundamental. Modelos de aprendizado de máquina permitem ajustar a refrigeração, a ventilação e a operação em tempo real. Um caso emblemático é o uso de machine learning pelo DeepMind em centros de dados do Google, com o qual conseguiram reduzir em até 40% o consumo energético destinado à refrigeração, sem comprometer o desempenho.

Nas redes elétricas, a IA contribui para prever a geração de energias renováveis, como a solar ou a eólica, programar o armazenamento e priorizar recursos. Órgãos como o Departamento de Energia dos Estados Unidos já identificam aplicativos de IA para planejar, operar e fortalecer a resiliência de suas redes, com o objetivo de aumentar a confiabilidade e reduzir custos e emissões.

Também no âmbito industrial, os modelos preditivos detectam anomalias em equipamentos antes que falhem, evitando paradas imprevistas que representam um desperdício energético significativo.

Na logística e na mobilidade, a IA permite otimizar rotas, frotas, horários e cargas. Isso se traduz em menor consumo de energia e, consequentemente, em redução de emissões. Instituições europeias e centros de pesquisa estão impulsionando a digitalização do transporte como um caminho claro para avançar na descarbonização.

 

Gestão de riscos ambientais

Além da eficiência, a IA também é útil para antecipar e gerir riscos ambientais, graças às suas capacidades preditivas:

  • Detecção precoce: você pode analisar imagens de satélite e dados de sensores para identificar desmatamento, incêndios ou mudanças em corpos d’água.
  • Modelos climáticos: permite antecipar ondas de calor, inundações ou interrupções no abastecimento, facilitando uma resposta antecipada.
  • Avaliação de impactos: por meio de simulações, ajuda a priorizar investimentos em adaptação ou mitigação, como o reforço de infraestruturas críticas.

Órgãos internacionais, como o Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Mudança Climática (IPCC), estão incorporando IA em seus processos científicos e de revisão, ao reconhecerem sua utilidade, bem como a necessidade de marcos robustos para seu uso responsável.

 

Vantagens, desafios e recomendações

Embora seus benefícios sejam evidentes, a inteligência artificial também apresenta desafios. Não é uma tecnologia neutra: seu uso descontrolado pode aumentar a demanda elétrica, introduzir vieses em decisões automatizadas ou gerar vulnerabilidades frente a ciberataques.

Para que a IA seja uma ferramenta verdadeiramente sustentável e estratégica, é fundamental:

  • Medir sua pegada energética completa e priorizar a eficiência
  • Estabelecer modelos de governança adequados
  • Desenhar indicadores (KPI) alinhados a objetivos sustentáveis
  • Impulsionar a colaboração público-privada

Experiências como a do Google ou as recomendações da Agência Internacional de Energia ressaltam a importância de implementar projetos-piloto mensuráveis, definir métricas claras, garantir a transparência dos resultados e contar com políticas bem definidas para o uso ético da IA.

 

Onde poderia ampliar suas vantagens?

  • Otimização do uso energético, por meio de redes inteligentes e processos industriais mais eficientes.
  • Impulso ao transporte sustentável, melhorando a gestão do tráfego e promovendo a mobilidade elétrica.
  • Agricultura mais sustentável, graças à previsão climática e à detecção de estresse ambiental.
  • Redução de emissões industriais, ao identificar processos ineficientes.
  • Monitoramento ambiental, com análise de dados de satélite e modelagem preditiva.
  • Desenvolvimento de materiais e tecnologias verdes, por meio da aplicação da IA à pesquisa científica.
  • Apoio à tomada de decisões, com base na análise de grandes volumes de dados.

 

Um caminho possível e necessário

A Inteligência Artificial pode atuar como um multiplicador de eficiência, reduzindo tanto os custos quanto a pegada ambiental, ao mesmo tempo em que fortalece a capacidade preditiva e de resposta das organizações diante dos riscos da mudança climática. Estudos e casos de sucesso confirmam que seus benefícios são reais, desde que sua implementação seja feita com base em princípios de sustentabilidade, métricas claras e uma governança sólida.

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